O Brasil vai para o divã falar de empregadas e patroas

Por Brenda Fucuta  |  Entrevistas, Família  |  0 Comentários

Nos últimos 50 anos, as mulheres fizeram uma revolução silenciosa no país. Entraram em massa no mercado de trabalho, passaram a estudar mais do que os homens, redesenharam a família brasileira, agora sem crianças ou com apenas um ou dois filhos (nos anos 60, eram 6 filhos por casal!) Esta revolução foi suportada por outras mulheres, as empregadas domésticas.

É comum que uma executiva bem sucedida lembre de citar as empregadas domésticas como personagens fundamentais na construção de sua carreira. Ninguém, no Brasil, que tem mais de 6 milhões de empregados domésticos (mais de 90%, mulheres), se espanta com o fato. O que talvez explique por que o país esteja passando por uma sessão de terapia com o filme Que horas ela volta? da cineasta Anna Muylaert, que conta a história de Val, empregada doméstica de uma família de classe média alta de São Paulo e mãe de Jéssica, estudante de arquitetura. A imagem do país em terapia é da própria Anna, cineasta e roteirista (É Proibido Fumar, Durval Discos, O Ano em que meus pais saíram de férias), que falou para o blog sobre a delicada e complexa relação entre empregadas e patroas.

A cineasta Anna Muylaert dá voz às invisíveis

A cineasta Anna Muylaert:  voz às invisíveis

Sem a figura da empregada doméstica no Brasil, haveria como inserir tantas mulheres no mercado trabalho?

Olha, eu acho que esta questão ainda não está solucionada. Eu, por exemplo, a solução que encontrei foi me dedicar à profissão de roteirista para conseguir ficar por perto dos filhos no almoço, jantar, levar à aula etc… Acho que a convivência com os filhos é um dos grandes tesouros, senão o maior tesouro, que a vida nos dá. E é provisório, porque eles vão embora. Quis ter a certeza de que fiquei com eles e me dediquei. Mas, mesmo optando por um trabalho mais flexível, na maior parte do tempo tive uma empregada me ajudando com a comida e com a casa. Haveria outra maneira? No Brasil, raramente o homem está por perto quando o assunto é cuidar de criança. Se o homem fosse mais responsável, mais presente, talvez a figura da empregada não fosse tão importante. Mas, em alguns casos, como dizia uma amiga, a empregada torna-se o marido!

O trabalho doméstico tão barato e ainda acessível está retardando o “despertar para a autonomia” dos brasileiros de classe média?

Sem dúvida. Eu quase sempre tive empregada e é claro que é muito mais fácil arrumar a bagunça da crianca do que ensiná-la a arrumar. Então, se a empregada está ali, a criança provavelmente vai ser uma preguiçosa. E o adolescente idem. Na minha própria adolescência foi assim. Sempre tivemos empregada e sempre fui uma inútil. Só descobri que não sabia fazer nada quando fui morar seis meses na Europa e percebi que precisava aprender a cuidar de mim mesma. Quando vivemos sem o auxílio de empregada, a criança fica muito mais participativa, consciente e esperta.

Antes dessa crise, previa-se que a mão de obra doméstica ficaria cara e rara, restrita aos ricos. O que você acha dessa perspectiva?

Eu espero que seja verdadeira; tenho muito apreço pela cultura oriental, onde o cuidar de si mesmo é parte fundamental da ideia de maturidade. Ter empregada pode parecer confortável mas, na verdade, distancia a pessoa de sua própria vida. Além disso, acho que eu e todos nós desejamos que o Brasil venha a ser uma nação democrática socialmente, sem tanta desigualdade e separatismo social. Em pleno século XXI, com a internet democratizando a informação e os contatos, urge que façamos um upgrade nesse sistema. Ele não pertence mais ao presente. Estamos anacrônicos.

A Jessica, filha da Val, mostra uma ruptura histórica na relação entre a atitude servil da empregada doméstica de sua mãe e a geração Y, que conseguiu chegar à faculdade. O que ela ensina para a nossa classe média?

Não sei o que ela ensina, mas sei que sua atitude de respeito por si própria faz com que o mundo seja um lugar mais amplo e menos dolorido.

Por que fazer esse filme? O que ele mudou na sua vida e na vida de sua família?

Estamos discutindo todos esses assuntos quase que diariamente e acho que meus filhos ficaram mais dispostos a ajudar em casa. Na verdade, bem mais (rsrs). Eles me ouvem falando que o adolescente brasileiro pensa que vive num hotel e acho que, atualmente, não querem que eu pense isso deles… A verdade é que eu trabalhei muitos anos nesse filme. Por causa da profundidade do tema, sempre soube que seria meu trabalho mais importante. Tenho enfrentado guerras que nunca tinha enfrentado antes e, ao mesmo tempo, recebido uma impressionante chuva de amor.

Que guerras?

Tenho encontrado muita gente emocionada, meninas que se vêem na Jessica, mulheres que se vêem na Val… Tenho a impressão de que o filme está colocando o país em terapia. Voltando à pergunta anterior, discutir esse filme quase todos os dias está me ajudando a perceber e a desarmar o jogo de preconceito que todos temos. Tenho tentado ter o cuidado de cumprimentar as pessoas que fazem trabalhos domésticos, os garçons também…. Aquelas pessoas que ficaram invisíveis, como móveis de um lugar. Hoje, faço questão de perceber a presença de todos.

Com mais de 60% de empregadas domésticas sendo negras, por que você optou por uma atriz branca? 

Ela seria negra, mas Regina Casé (protagonista do filme) roubou o papel! Por outro lado, não acho que a Regina seja branca. Pra mim, ela tem um sincretismo da raças brasileiras. É branca, negra e também índia. Também a Jessica era negra. Mas eu queria falar de classismo e não de racismo. E se elas fossem negras, o debate inevitavelmente seria em torno da questão do racismo. Eu acho o classismo mais perverso.

out
04
2015

Menos é mais! Ou o que o Kung Fu tem a ver com a vida corporativa ?

Por Brenda Fucuta  |  Carreira e Dinheiro, Entrevistas  |  3 Comentários

Parece lenda, mas pode ser que não seja. No século 18, uma chinesa, Yim Ving Tsun, teria desenvolvido por conta própria um sistema de Kung Fu, a antiqüíssima arte marcial asiática que mais parece dança do que luta. Este sistema ficou conhecido como Ving Tsun e sobreviveu dentro de clãs exclusivos chineses até o século 20. Atualmente, o Ving Tsun tem sido recomendado pelos seus adeptos como um instrumento de inteligência estratégica para ser usado, inclusive, na vida corporativa. “O Ving Tsun é o esforço sem desperdício. O mundo corporativo precisa disso agora. As mulheres, principalmente”, diz a empresária Cristina de Azevedo, praticante do sistema há catorze anos.

Cris é uma leitora do blog. Quando me contou, por email, da sua experiência como executiva, empreendedora e, depois, professora de arte marcial, fiquei curiosa. Fui encontrá-la numa casa de chá em Pinheiros, São Paulo, e conversamos por mais de seis horas. Dias depois, nos vimos de novo na Casa dos Discípulos, sobrado no bairro do Brooklin,  que abriga as atividades do clã Moy Yat Sang, liderado pelo mestre Leo Imamura. Cris falou de uma de suas missões: divulgar, para as mulheres, o Sistema Ving Tsun numa versão facilitada para ocidentais.

De executiva a tutora de kung fu: a experiência de Cris de Azevedo Foto:  Washington Fonseca

De executiva a tutora de kung fu: a experiência de Cris de Azevedo
Foto: Washington Fonseca

Como uma arte marcial serve para desenvolver a inteligência estratégica ?

A arte marcial nos apresenta situações únicas que funcionam como metáfora das relações no nosso dia-a-dia. É o conceito que chamamos de Vida Kung Fu. Não é uma técnica, mas o desenvolvimento de uma consciência que se cria para ler e lidar com o mundo. Por isso, falamos de inteligência estratégica. Para mim, faz todo o sentido aplicá-lo para configurar cenários, desenhar processos, utilizar o recurso do adversário a meu favor, como agir diante de um desafio, por exemplo. Com o Ving Tsun, aprendi a ser mais estratégica, a me relacionar melhor com o outro e a antecipar movimentos. Também se aprende a ter uma vida mais simples e a entender que, muitas vezes, o menos é mais. Não é disso tudo que falamos quando estamos na gestão de uma empresa?

Você me contou que enxerga nesse sistema uma maneira de ajudar as mulheres. Como é isso?

As mulheres, especialmente, estão preocupadas em encontrar um novo equilíbrio de vida, principalmente quando o assunto é conciliar os múltiplos papéis que necessitam ou desejam assumir. Para mim, o “empoderamento” das mulheres está num reordenamento das prioridades. O que é urgente ou realmente importante? Só assim, conseguiremos aumentar a margem de segurança nas decisões que tomamos. Outra coisa que o sistema faz é atuar para que a gente consiga construir um ambiente positivo, acolhedor e mais tranquilo para a resolução dos problemas.

Na prática, como funciona?

O sistema é uma experiência corporal, tutelada, traduzida por movimentos de luta. São lutas virtuais, que nos ajudam a simular os combates reais da vida, que exigem respostas imediatas para desafios e problemas. Então, ao simular, podemos obter respostas melhores e mais inteligentes na vida real.

Por que você acredita que isso influencia numa vida mais simples?

Porque as lutas também são um processo de autoconhecimento. Elas são simbólicas e também refletem as lutas que travamos com a gente mesma. Temos a possibilidade de nos liberarmos de crenças e camadas inúteis que atrapalham nosso desenvolvimento pessoal e podermos viver melhor nossas vidas, com mais simplicidade e de maneira mais sábia. Diz-se que coração da criança recém-nascida é um coração puro e descontaminado de julgamentos. Para os chineses, o ideograma que significa “criança” é igual ao ideograma que significa um “ser sábio”. No meu caso, fui em busca de tirar minhas camadas excessivamente masculinas, e  sigo me liberando de outras para desenvolver melhor minha inteligência estratégica e humanidade.

O que você chama de “camadas masculinas” tem a ver com sua experiência como executiva na empresa do seu pai?

Eu tive muita sorte de ser criada por um pai empreendedor, pioneiro e inovador. Para ele não havia distinção em relação ao potencial entre seus filhos homens e eu, sua única filha mulher. De alguma maneira, meu pai intuiu que criar os filhos de jeito desigual, só por causa do gênero, era uma bobagem. Além disso, sou da geração das mulheres que viraram executivas de empresas e não questionaram muito sobre o assunto. Para mim, por muito tempo, o poder estava em me comunicar de uma forma dura e  masculinizada, fazendo muito esforço, o que é um equívoco. Depois que saí da empresa da minha família, me dediquei ao meu filho, Bruno, hoje com 24 anos. Abri e vendi um negócio de catering, com massas coloridas artesanais, e entrei num sabático. Foi quando procurei pelo mestre Leo Imamura. “O que você veio buscar?”, foi a primeira pergunta dele. Respondi que queria me reencontrar com “meu feminino”. Loucura, né ? Procurar minha natureza feminina justo numa academia de luta?  Mas, surpreendentemente, ele me disse que eu estava no lugar certo e que a arte do Ving Tsun, que havia sido fundada por uma mulher, poderia me ajudar. Foi assim que ingressei no Kung Fu há catorze anos e minha primeira prática foi o Ving Tsun Experience, uma versão mais compacta do sistema original. Hoje, sou tutora desta arte. Se tudo correr bem, espero receber o título de Mestra de Ving Tsun Kung Fu.

Quem quiser entrar em contato com a Cris: crisdeazevedo@hotmail.com e  http://www.desenvolvimentopessoal-vte.com/

set
28
2015

Um sabático pode ser produtivo?

Por Brenda Fucuta  |  Carreira e Dinheiro, Entrevistas, Família  |  3 Comentários

O que é um sabático contemporâneo? Esta é a pergunta que Andrea Bisker se faz, quatro meses depois de sair do comando da empresa cuja filial brasileira ajudou a lançar, a WGSN, serviço de conhecimento e informação em design e criatividade que, por muitos anos, orientou empresas ligadas à moda. Orienta, na verdade, porque Andrea saiu deixando 800 clientes ativos e um segundo negócio, a Mindset, o braço de consultoria da WGSN,  com foco em projetos customizados, que ela criou com o marido, Carlos Eduardo Finkelstein, e que 9 anos depois, vendeu à Top Right Group, holding da WGSN.

Aos 48 anos, primeira tatuagem com a palavra Equilíbrio desenhada no braço esquerdo, Andrea diz que se sente orgulhosa e cheia de gratidão agora que encerrou o período de negociação de saída da empresa. “Já me sinto como uma mãe que deixa a filha pronta para o mundo.” Ao mesmo tempo, conta que se vê inquieta, tentando inventar um sabático a seu modo.

Andrea Bisker e a missão de reinventar o sabático

Andrea Bisker e a missão de reinventar o sabático

Você foi a cara da WGSN por muito tempo e, com isso, ficou muito conhecida como uma caçadora de tendências, especialmente de moda e design. Como é largar esta “persona”?

É um processo que ainda está em movimento. Durante onze anos, cresci junto com a marca WGSN e vice-versa. Nos primeiros nove anos,  atuei como empresária da marca, com muita liberdade para criar. Toda construção da marca no Brasil foi baseada no conteúdo incrível e poderoso da WGSN, e a partir dele, conseguimos criar uma imagem aspiracional, de empresa inovadora, disruptiva e um must have no mercado da moda, beleza e design. A WGSN tem uma força no Brasil que é única no mundo todo e meu grande orgulho é que o Brasil ainda é um benchmark para Londres, onde está a sede. Fizemos filmes incríveis e criamos a Mindset, que hoje é o braço de consultoria mundial da WGSN. Desde o inicio, minha maior paixão era decodificar este conteúdo e entregá-lo em diferentes formatos, de palestras a workshops. Isto consolidou a imagem da “persona Andrea” como uma profissional inovadora e especializada em tendências. Foi muito difícil me desligar, é impactante a negociação de saída de uma empresa que se misturou com sua própria personalidade!  Depois de muita conversa e do entendimento de que o business pode seguir sozinho, mas o que você é, permanece, me senti preparada para fechar o ciclo. O movimento agora é separar estas duas imagens, que existem por si só. 

Ao vender a Mindset, há dois anos, você assumiu o posto de executiva do grupo para a América Latina. A experiência não foi boa?

Foi legal enquanto durou, mas também foi o suficiente. Porque, ao assumir um cargo executivo, você precisa fazer a história acontecer mas também cuidar da gestão dela. A cobrança de metas é exaustiva e você precisa deixar o hands on para lá, não há mais espaço nem tempo para ser criativa. Você tem calls, reports, visitas, eventos…. Enquanto gerenciei somente a WGSN e a Mindset, no primeiro ano de executiva,  ainda estava bem conectada com as atividades que me davam prazer. Quando fui promovida e assumi a direção geral do grupo,  deixei de fazer as coisas que eram minha razão de trabalho. Não porque me impediram, mas porque o cargo não permitia, não era mais a minha prioridade. Percebi que eu estava meio triste, muito no Excel, pouco no Keynote (o power point do Mac).  Acredito que o meu valor para o negócio são as ideias, a energia criativa e a capacidade de gerar negócios. Neste momento, percebi que o meu ciclo com a WGSN tinha terminado. Uma das certezas que tenho nesse meu sabático é que não quero ser executiva de novo. O meu objetivo é passar a atuar com projetos, e poder exercer minha criatividade com liberdade e num formato mais leve. 

Você foi workaholic?

Não, eu fui (e sou) worklover. Meu marido diz que o único foco que eu tinha na vida era o trabalho. Tenho consciência do tesão pelo trabalho e da facilidade em ficar adicta de novo. Parei de trabalhar uma vez apenas, há quatro anos, quando tive paralisia de Bell (paralisia da face). Foi um período muito angustiante, porque acordei com o rosto todo assimétrico e fiquei assim por muito tempo. (Na época, a revista CLAUDIA publicou a história de Andrea sob o título O Dia em que Eu Acordei Feia). Me sinto recuperada agora, mas não posso tirar fotos sorrindo, ainda. Por outro lado, reforcei minha capacidade de rir de mim e da vida, porque sei que as coisas podem mudar de uma hora para outra. Acredito que são essas pequenas cicatrizes que ajudam a gente a evoluir.

O que é esse seu projeto de reinventar o sabático?

Não sei, estou tentando descobrir (rsrsrs). Dá para fazer um sabático em que você se reinventa mas também inventa novas coisas? Em que não para de encontrar pessoas e ideias incríveis, mas também pode acordar tarde e falar bobagem no whats app com as amigas? Dá para viver num mood sabático? Sou muito inquieta e, desde que saí da empresa, falei com muita gente legal sobre muito projeto legal. Quando vi que estava de novo ansiosa, marcando um monte de reunião, eu parei para pensar. Entendi que os meus dias estavam ficando cheios de to dos, como antes. Por isso, decidi que o importante agora é selecionar o que me dá prazer e me permitir não ter que “nada”. Quando eu tinha 20 anos, eu já era tão worklover que não consegui sair do país porque imaginava que ia ficar fora do mercado do trabalho. Então, fico pensando se este comichão de voltar ao trabalho não é uma repetição de um padrão meu. E, nesse momento, eu não quero repetir, quero transgredir o meu próprio formato, tentar ser de outras formas. Estou fazendo análise com divã pela primeira vez e fica fácil perceber os padrões. Por exemplo: eu acho que a vida está me dando uma p* oportunidade. Tenho 48 anos, tenho condição financeira para fazer apenas o que gosto, tenho tempo para a família. A ponto de pensar em mudar para o exterior e me dedicar a ela, essa fantasia feminina, não é? Aliás, uma das coisas mais sensacionais que fiz no novo sabático foi um projeto de família. 

Como foi o projeto de família?

Foi o bar mitzvah (celebração judaica dos 13 anos dos meninos) do meu filho mais velho. Nessa cerimônia, você atinge a maioridade religiosa e assume compromissos com a lei da Torah.  Graças a minha saída do trabalho, pude me dedicar integralmente à produção do bar. Convidamos 80 amigos, judeus e não judeus, de vários lugares do mundo, da Holanda, da França, da Inglaterra e do Brasil para passar conosco seis dias em Israel. Foram 6 dias mágicos, de troca intensa com pessoas importantes da minha vida. Preparei todos os detalhes: do site ao convite, dos preparativos  de cada uma das atividades até o “convencimento” dos amigos a se juntar a nossa família nesta aventura do do outro lado do mundo. A cada dia,  fazíamos uma celebração especial… Saímos todos do hotel com uma banda tocando músicas judaicas e caminhamos até uma pequena sinagoga, onde o Mauricio, meu filho, rezou a sua Parashá e conquistou a sua maioridade religiosa. Tivemos a balada no topo de um hotel, com a vista de Jerusalém dourada pelo por do sol e uma lua cheia maravilhosa que ganhamos de presente. Caça ao tesouro em Massada, jantar marroquino com dançarina do ventre, visita a uma base militar e terminamos no Museu do Holocausto, onde nosso grupo, a maioria formada por pessoas de outras religiões, puderam entender um pouco da cultura judaica. Foi uma experiência maravilhosa que me deixa um profundo sentimento de gratidão. Entendi que dar é muito mais gostoso que receber, e esta doação é onde quero colocar minha energia daqui pra frente. Em projetos que me tragam sabedoria, que preencham a alma e que promovam o bem. 

O que você já reinventou?

De concreto, eu troquei o carro pela bike. Passei a acompanhar as lições de casa do meu filho mais novo, o que gerou ciúme no mais velho. “Você está dando muito atenção para ele e eu também preciso de ajuda”, reclamou o mais velho. “Como vocês faziam antes?” eu perguntei. “Não sei, mas agora você está aqui”, ele respondeu. KKK. Passei a dedicar um dia da semana a minha mãe, de 71 anos. Ela foi dona de casa até os 68, quando virou corretora de imóveis. Estou com ela nesse processo. Estou aprendendo a retribuir pequenas gentilezas para a família e amigos… Sempre fui aquela que comprava presente de baciada, de uma vez só, para os amigos dos filhos, porque estava sempre atrasada. Não mais! Também estou fazendo um curso de narratologia na escola Perestroika e quero me envolver em causas e projetos que realmente façam sentido para mim. Comecei a fazer curadoria de inovação dentro do clube da minha comunidade, o Hebraica (clube judaico de São Paulo). Junto com meu marido, estamos tocando o Headtalks, um projeto que traz conteúdo inspirador e disruptivo para os sócios, através de conversas e workshops criativos com gente inspiradora, como Marcelo Rosenbaum, por exemplo. Faço como voluntária e estou adorando. Educação é a minha nova paixão.

set
17
2015
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