Minha vida é mais simples. E faz mais sentido

Por Brenda Fucuta  |  Carreira e Dinheiro, Entrevistas  |  6 Comentários

Por Mariane Maciel

“Minha mãe teve câncer. Três anos. Oito meses antes dela morrer, parei de trabalhar para poder estar ao seu lado. Era 2008, estávamos juntas em Vitória, no Espírito Santo, onde nasci. ‘O que realmente importa na vida? Será que fiz o que queria fazer?’ Esse era o tipo de conversa que tínhamos.

Quase um ano depois da sua morte, meu namorado faleceu em um acidente aéreo. Na semana anterior havíamos reunido nossas famílias para um almoço e, sem planejar, ficamos noivos. Apesar da falta que minha mãe fazia, a vida era boa de novo. Até que ela mudou mais uma vez.

Tentei continuar a viver onde estava. Na época, era diretora de planejamento da agência CO.R em São Paulo, trabalho que adorava. Difícil encontrar sentido. Me pegava às vezes no meio da reunião olhando para o outro lado. Estava e não estava ali.

Mariane, a publicitária free lancer que doa metade de seu tempo a projetos sociais

Mariane, a publicitária free lancer que doa metade de seu tempo a projetos sociais

Decidi me mudar para perto do sol. Fui para o Rio de Janeiro porque tinha entendido que naquele momento era importante ter metas simples. Andar de bicicleta e parar para olhar o mar, por exemplo. Ter um trabalho que eu soubesse fazer. Conhecer pessoas que não me olhassem com pena. Sobreviver.

Estou no Rio até hoje. Trabalhando de manhã para projetos sociais, à tarde em consultoria para marcas. Ganho a vida com um, dou sentido à vida com o outro.

Meu sonho é deixar as duas coisas mais próximas, o trabalho pago e o doado. É fazer projetos transformadores em parceria com as empresas. Todo dia, peço ao universo que me mande coisas mais afinadas comigo e com este momento. E percebo que isso está começando a acontecer.

Tenho 38 anos. Meu último cargo corporativo, emprego, foi como diretora de planejamento da agência WMcCann no Rio de Janeiro e meu primeiro trabalho com carteira assinada foi na AlmapBBDO de São Paulo, onde cheguei a gerente do núcleo dos mais importantes clientes da agência.

Ganhava bem, tinha carro, clientes legais, projetos estimulantes, orçamentos incríveis.

Três anos depois, imagino ganhar metade do que ganhava. Não paro muito para pensar. Quase não compro roupas, cozinho bastante em casa, ando de bicicleta, ônibus e metrô. Não tenho décimo-terceiro e sinto falta do salário que cai certinho na conta todo mês. Mas não consigo me ver em outro lugar, pelo menos por enquanto.

Não gosto de glamurizar a vida fora das empresas. Depois que você sai do mundo do emprego fixo e passa a viver de maneira autônoma, acaba sendo procurada por muita gente que está cansada do esquema tradicional de trabalho. Eu estou sempre tomando café com alguém, mas evito passar a ideia de que fora das empresas a vida é maravilhosa.

Na verdade, acho que estamos exagerando na criação dessa narrativa do mundo mágico, do sonho de fazer só o que se ama. Nem sempre você vai conseguir viver apenas dos projetos legais e vai acabar, sim, fazendo um monte de coisas que não te agradam até se estabelecer nessa nova vida.

Minha pergunta para quem toma café comigo é: você consegue abrir mão disso ou daquilo? Do sobrenome da empresa? Das férias e do plano de saúde bacana? Eu, por exemplo, pretendo ter um filho e sei que seria muito mais cômodo fazer isso com a licença-maternidade de uma empresa. Mas o que vou fazer se sou feliz de outra maneira? Meu filho vai aprender a economizar com a mãe, rsrs.

Em 2012, quando eu ainda estava na WMcCann, conheci um chefe de cozinha, o David Hertz. Ficamos amigos em 5 minutos. Ele fundou a Gastromotiva, uma ONG que promove transformação social pela cozinha. Eu adorava gastronomia: dei aula de cozinha para amigos em casa, tive blog e coluna em revista, comia em restaurantes da zona sul e também em botecos nas favelas pacificadas. A Gastromotiva já era reconhecida e premiada no universo dos projetos sociais, mas sua visibilidade era ainda tímida fora desse círculo e sua atuação estava restrita a São Paulo. David e eu nos tornamos parceiros de trabalho e grandes amigos. Sua paixão pela gastronomia social trouxe mais propósito a minha vida e, em troca, eu contribui trazendo práticas de construção de marca para a organização (que tem uma equipe incrível).

Hoje já formamos quase 2 mil alunos em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador e temos uma taxa de empregabilidade de mais de 80%. Queremos fazer muito mais: abrir mais vagas, estar em mais cidades, impulsionar os alunos para que eles se tornem multiplicadores em suas comunidades (e levem uma alimentação saudável, principalmente para as crianças), inspirar o nascimento de outros projetos. Para isso, precisamos de mais parceiros que apostem nesse sonho com a gente.

Agora, as horas que dedico como voluntária à Gastromotiva estão sendo divididas com o ‘Vamos Falar sobre o Luto?’, projeto que idealizei e realizo com um grupo de amigas, Amanda Thomaz, Cynthia Almeida, Fernanda Ferraz, Gisela Adissi, Rita Almeida e Sandra Soares.

Nos primeiros meses, anos até depois que perdi minha mãe e o Leo, as pessoas eram muito legais comigo. Tão legais que não me deixavam esquecer que eu estava f*. Ainda assim, me senti sozinha… porque não conhecia muitas pessoas que haviam vivido perdas com as minhas e não encontrava informação sobre o que eu sentia.

A maior parte dos projetos e organizações sociais nasce de uma vivência pessoal e o nosso projeto não é diferente. Somos sete mulheres que passaram por perdas difíceis e queremos contribuir para que o luto seja menos solitário e rodeado de tabus.

O nosso projeto tem uma motivação clara: contribuir positivamente para o luto de amigos e desconhecidos. Ouvimos quase 200 histórias, conversamos com especialistas e convidamos algumas pessoas para participar de um minidocumentário. Por fim, descobrimos que falar é o primeiro passo para transformar uma experiência que infelizmente está sendo sufocada por nossa sociedade apressada e obcecada pela felicidade 24 horas/7 dias na semana. Levantamos recursos para criar uma plataforma digital que ajudasse a romper o tabu e abrisse espaço a acolhimento, informação e inspiração para quem vive o luto ou para quem deseja ajudar. Arrecadamos mais de 40 mil reais com a doação de quase 300 pessoas ao site Benfeitoria. Agora, estamos colocando o projeto de pé.”

 

 MARIANE MACIEL é publicitária free-lancer, voluntária nos projetos Gastromotiva, de empoderamento pela gastronomia, e Vamos Falar sobre o Luto?, para apoiar quem passou por uma perda. Fez Comunicação e Administração, marketing na Universidade de Harvard. Trabalhou na AlmapBBDO, CO.R, NBS e WMcCann

 

nov
11
2015

“As mulheres precisam assumir cargos de decisão nas empresas”

Por Brenda Fucuta  |  Carreira e Dinheiro, Entrevistas  |  0 Comentários
 Daqui, de São Paulo, eu e a repórter Sarah Uska no Skype. De um quarto de hotel de Cidade da Guatemala, antes de sair para sua primeira reunião, a engenheira civil Margaret Groff, 57 anos. Diretora financeira da binacional Itaipu, funcionária de carreira, Margaret é uma das maiores executivas do país. A Itaipu tem um faturamento de 4 bilhões de dólares e é uma das 500 maiores do país, segundo o ranking da revista Exame. “Lá, sou poderosa mesmo e os homens têm medo de mim”, brinca ela. “Primeiro, porque tenho este jeito afirmativo. Depois, porque a equidade de gênero está no meu DNA. E, terceiro, que diretor financeiro não seria poderoso numa empresa deste tamanho?”

Margaret foi uma das cinco lideranças empresariais e a primeira brasileira a receber o prêmio Oslo Business for Peace Award 2013, considerada a maior forma de reconhecimento de líderes de negócios por seus esforços na promoção da paz nas relações entre empresas e sociedade. Ela também criou o prêmio Weps Brasil, da Itaipu, no ano passado, que se inspira nos princípios para o empoderamento das mulheres da ONU e destaca as empresas brasileiras que trabalham pela equidade de gênero (as inscrições para o prêmio estão abertas, confira em www.premiowepsbrasil.org.). Nessa conversa com Sarah e comigo, ela conta que, como manobra tática para ascender na empresa, chegou a mudar de área.

 

Diretora financeira da Itaipu: Margaret Groff

Diretora financeira da Itaipu: Margaret Groff

Por que você precisou mudar de área para ser promovida?

Eu tinha muitos anos de gerência, estava pronta para crescer, mas não crescia. No momento em que houve a possibilidade de assumir uma superintendência, apesar de ser qualificada, fui preterida por um homem. Estamos falando de uma empresa predominantemente masculina, com muitos engenheiros. Percebi que precisava mudar de estratégia para conseguir ser promovida. Pouco tempo depois, engravidei e, durante a licença maternidade, resolvi que o melhor a fazer era mudar de área, sair da área técnica e ir para finanças. Foi o que eu fiz. Recuei, voltei atrás e fui para a área financeira, começar tudo de novo. Hoje, tenho certeza que foi o movimento correto. As mulheres precisam estar em cargos de decisão e a área financeira é muito importante nas empresas.

 

Mudar de área é uma manobra que você indica?

Talvez, se a mulher se encontra numa situação parecida com a que eu me encontrava. Não gosto de dar conselho, mas acho que quando a gente tem filhos costuma precisar de um pouco de sossego, de mudar o ritmo de trabalho. Não quero dizer parar de trabalhar, isso não. As mulheres precisam saber que dá para fazer carreira numa empresa e ter filhos também. Eu tive o meu primeiro filho aos 35 anos (Margaret tem dois, já na faculdade) e queria muito, achava importante para eu me sentir realizada. Mas não basta mudar de área. Veja, eu mudei para o financeiro e me preparei bastante para o passo seguinte. E uma das coisas que fiz foi me “candidatar” ao cargo que queria na época. Era 2003 e havia a vaga de superintendente do Fundo de Pensão da Itaipu (a previdência privada dos funcionários da empresa). Eu era bem tímida, mas percebi que, se não tomasse providências, se não pedisse para os amigos e aliados que me apoiassem, não iria chegar lá. Então, aprendi a ser cara de pau (rsrs). Deixei muito claro que queria aquela posição específica. Se não tivesse feito isso, é possível que não tivessem me considerado. Valeu a pena, acho que fiz uma boa gestão. Tanto que, três ou quatro anos depois, assumi a diretoria financeira da empresa.

Agora, você está num cargo muito importante na Itaipu. Qual o próximo passo? Tem vontade de ser CEO?
Eu adoro o que faço, adoro trabalhar, sou muito ativa. E não tem por que mentir, claro que todo mundo, em algum momento, pensa em ser CEO. Mas a carreira executiva não deixa tempo para mais nada. Então, quando penso nos próximos passos, fico mais inclinada a me imaginar num Conselho.

Como começou a se interessar pelo assunto equidade de gênero?

Mesmo sem saber o que estava fazendo direito, minha mãe sempre nos criou de maneira igual. Meus irmãos costuravam, cozinhavam, lavavam roupa. Eu e minha irmã tirávamos leite também. A gente morava num sítio e não tinha divisão de tarefas por ser homem ou mulher. Então, acho que, mesmo sem saber, acabei olhando as coisas com esta ótica de equidade. Mas só comecei a militar mesmo (rsrs) quando o atual presidente, Jorge Samek, assumiu e implantou uma gestão inovadora com foco nas minorias e na meritocracia. Foi criado um programa de equidade de gênero e eu me envolvi muito.

O que mudou na empresa?

Com o programa, fizemos um diagnóstico das principais dificuldades das mulheres no trabalho e criamos direcionamentos. Foi quando adotamos o horário móvel e a permissão de acompanhar os filhos em consultas médicas sem que o dia seja descontado. Alguns trabalhos exclusivamente masculinos passaram a ser ocupados também por mulheres, como operador e segurança. Nessas áreas, para você ter uma ideia, nem existia banheiro feminino. Em 2003, apenas 10% delas estavam em cargos de gerência e direção. Hoje, temos 21, 22% e a meta é de 30% em 2020. É ambiciosa, apenas 16% dos funcionários da Itaipu são mulheres. Mas vamos chegar lá.

O que você recomendaria para outras empresas conseguirem dobrar a liderança feminina?

Primeiro, colocar mulheres em alguns cargos de destaque: conselho, diretoria e cargos técnicos também. Devemos estar presentes em todas as áreas, mesmo nas predominantemente masculinas. Depois, investir na capacitação e na formação de todos, homens e mulheres. Toda empresa depende das visões masculina e feminina em todas as áreas para evoluir, senão ela fica estagnada e perde muito do seu potencial. Quando há mulheres nos cargos de liderança, as outras a sua volta se espelham e se empoderam também, uma coisa vai puxando a outra. Outra coisa é o engajamento da direção. Um programa de equidade tem que ter uma estratégia escrita nas diretrizes da empresa, um compromisso da alta administração. Falar de discriminação é difícil, as pessoas não gostam de ouvir, de admitir que existe.

O que você acha que ainda impede as mulheres de chegar ao topo?

Temos que melhorar muito a gestão das empresas na questão do gênero, temos muito discurso e pouca ação. E eu acredito muito que as empresas podem protagonizar este movimento de empoderar mulheres. O principal ponto é a falta de oportunidade. As mulheres são preteridas, isso precisa ser alterado. A gravidez ainda é encarada como um problema em certas empresas. Por isso, acho tão importante que a gente não perca o vínculo com a empresa durante a gravidez. Imagino que as novas gerações vão lidar com isso de forma mais fácil. Os homens mais jovens já estão reconhecendo que têm de assumir mais responsabilidades com a família.

Você se considera feminista?

Não. Não acho que precisamos ser feministas para lutar pela equidade, não somos iguais aos homens, somos diferentes e viva a diversidade! Temos que trazer os homens junto.

Mas ser feminista não significa excluir os homens, significa? Não é só uma forma de lutar pela igualdade de oportunidades?

Sim, tem muitas mulheres que não se dão conta da necessidade de lutar pela equidade. Eu também não me dava conta, mas agora percebo que o fato de estar num cargo financeiro, um cargo influente, significa muito para as outras mulheres. Insisto que as mulheres precisam ocupar cargos de decisão, porque na hora de decidir por um candidato a tendência, quando temos homens, é de chamar só homens para ocupar as vagas. Acabei de voltar de uma reunião da ONU, por exemplo, uma reunião sobre sustentabilidade. À mesa, 2 mulheres e 20 homens. Por quê? Temos que mudar esse modelo.

out
14
2015

Menos é mais! Ou o que o Kung Fu tem a ver com a vida corporativa ?

Por Brenda Fucuta  |  Carreira e Dinheiro, Entrevistas  |  3 Comentários

Parece lenda, mas pode ser que não seja. No século 18, uma chinesa, Yim Ving Tsun, teria desenvolvido por conta própria um sistema de Kung Fu, a antiqüíssima arte marcial asiática que mais parece dança do que luta. Este sistema ficou conhecido como Ving Tsun e sobreviveu dentro de clãs exclusivos chineses até o século 20. Atualmente, o Ving Tsun tem sido recomendado pelos seus adeptos como um instrumento de inteligência estratégica para ser usado, inclusive, na vida corporativa. “O Ving Tsun é o esforço sem desperdício. O mundo corporativo precisa disso agora. As mulheres, principalmente”, diz a empresária Cristina de Azevedo, praticante do sistema há catorze anos.

Cris é uma leitora do blog. Quando me contou, por email, da sua experiência como executiva, empreendedora e, depois, professora de arte marcial, fiquei curiosa. Fui encontrá-la numa casa de chá em Pinheiros, São Paulo, e conversamos por mais de seis horas. Dias depois, nos vimos de novo na Casa dos Discípulos, sobrado no bairro do Brooklin,  que abriga as atividades do clã Moy Yat Sang, liderado pelo mestre Leo Imamura. Cris falou de uma de suas missões: divulgar, para as mulheres, o Sistema Ving Tsun numa versão facilitada para ocidentais.

De executiva a tutora de kung fu: a experiência de Cris de Azevedo Foto:  Washington Fonseca

De executiva a tutora de kung fu: a experiência de Cris de Azevedo
Foto: Washington Fonseca

Como uma arte marcial serve para desenvolver a inteligência estratégica ?

A arte marcial nos apresenta situações únicas que funcionam como metáfora das relações no nosso dia-a-dia. É o conceito que chamamos de Vida Kung Fu. Não é uma técnica, mas o desenvolvimento de uma consciência que se cria para ler e lidar com o mundo. Por isso, falamos de inteligência estratégica. Para mim, faz todo o sentido aplicá-lo para configurar cenários, desenhar processos, utilizar o recurso do adversário a meu favor, como agir diante de um desafio, por exemplo. Com o Ving Tsun, aprendi a ser mais estratégica, a me relacionar melhor com o outro e a antecipar movimentos. Também se aprende a ter uma vida mais simples e a entender que, muitas vezes, o menos é mais. Não é disso tudo que falamos quando estamos na gestão de uma empresa?

Você me contou que enxerga nesse sistema uma maneira de ajudar as mulheres. Como é isso?

As mulheres, especialmente, estão preocupadas em encontrar um novo equilíbrio de vida, principalmente quando o assunto é conciliar os múltiplos papéis que necessitam ou desejam assumir. Para mim, o “empoderamento” das mulheres está num reordenamento das prioridades. O que é urgente ou realmente importante? Só assim, conseguiremos aumentar a margem de segurança nas decisões que tomamos. Outra coisa que o sistema faz é atuar para que a gente consiga construir um ambiente positivo, acolhedor e mais tranquilo para a resolução dos problemas.

Na prática, como funciona?

O sistema é uma experiência corporal, tutelada, traduzida por movimentos de luta. São lutas virtuais, que nos ajudam a simular os combates reais da vida, que exigem respostas imediatas para desafios e problemas. Então, ao simular, podemos obter respostas melhores e mais inteligentes na vida real.

Por que você acredita que isso influencia numa vida mais simples?

Porque as lutas também são um processo de autoconhecimento. Elas são simbólicas e também refletem as lutas que travamos com a gente mesma. Temos a possibilidade de nos liberarmos de crenças e camadas inúteis que atrapalham nosso desenvolvimento pessoal e podermos viver melhor nossas vidas, com mais simplicidade e de maneira mais sábia. Diz-se que coração da criança recém-nascida é um coração puro e descontaminado de julgamentos. Para os chineses, o ideograma que significa “criança” é igual ao ideograma que significa um “ser sábio”. No meu caso, fui em busca de tirar minhas camadas excessivamente masculinas, e  sigo me liberando de outras para desenvolver melhor minha inteligência estratégica e humanidade.

O que você chama de “camadas masculinas” tem a ver com sua experiência como executiva na empresa do seu pai?

Eu tive muita sorte de ser criada por um pai empreendedor, pioneiro e inovador. Para ele não havia distinção em relação ao potencial entre seus filhos homens e eu, sua única filha mulher. De alguma maneira, meu pai intuiu que criar os filhos de jeito desigual, só por causa do gênero, era uma bobagem. Além disso, sou da geração das mulheres que viraram executivas de empresas e não questionaram muito sobre o assunto. Para mim, por muito tempo, o poder estava em me comunicar de uma forma dura e  masculinizada, fazendo muito esforço, o que é um equívoco. Depois que saí da empresa da minha família, me dediquei ao meu filho, Bruno, hoje com 24 anos. Abri e vendi um negócio de catering, com massas coloridas artesanais, e entrei num sabático. Foi quando procurei pelo mestre Leo Imamura. “O que você veio buscar?”, foi a primeira pergunta dele. Respondi que queria me reencontrar com “meu feminino”. Loucura, né ? Procurar minha natureza feminina justo numa academia de luta?  Mas, surpreendentemente, ele me disse que eu estava no lugar certo e que a arte do Ving Tsun, que havia sido fundada por uma mulher, poderia me ajudar. Foi assim que ingressei no Kung Fu há catorze anos e minha primeira prática foi o Ving Tsun Experience, uma versão mais compacta do sistema original. Hoje, sou tutora desta arte. Se tudo correr bem, espero receber o título de Mestra de Ving Tsun Kung Fu.

Quem quiser entrar em contato com a Cris: crisdeazevedo@hotmail.com e  http://www.desenvolvimentopessoal-vte.com/

set
28
2015
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